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João de Deus: penas por crimes sexuais reduziram para menos da metade após recursos e somam 211 anos

O que aconteceu com João de Deus? As penas pelas quais João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, foi condenado por crimes sexuais somavam quase 48...

João de Deus: penas por crimes sexuais reduziram para menos da metade após recursos e somam 211 anos
João de Deus: penas por crimes sexuais reduziram para menos da metade após recursos e somam 211 anos (Foto: Reprodução)

O que aconteceu com João de Deus? As penas pelas quais João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, foi condenado por crimes sexuais somavam quase 480 anos em primeira instância, segundo levantamento do g1 junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO). Mais de sete anos após a primeira denúncia, as penas diminuíram para menos da metade após o julgamento de recursos. Entre os crimes estão: estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. O g1 procurou a defesa de João de Deus, que informou que ele continua preso preventivamente desde dezembro de 2018, prisão que foi substituída por prisão domiciliar e perdura até o presente momento. Disse ainda que os processos seguem o seu curso normal aguardando julgamento perante o STJ. João de Deus ganhou notoriedade após começar a realizar cirurgias espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, fundada por ele em Abadiânia. Em 2018, a cidade de 17 mil habitantes se chocou quando cerca de 10 mulheres iniciaram uma série de denúncias contra ele, relatando abuso sexual durante os atendimentos. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp João de Deus respondeu por 16 denúncias envolvendo crimes sexuais e mais dois processos, um sobre posse de arma de fogo e outro sobre relações de consumo, que foi arquivado. Inicialmente condenado a quase 500 anos, hoje as penas dos crimes sexuais somam 211 anos e 1 mês de prisão. Desde 2021, o líder religioso cumpre prisão domiciliar em Anápolis, a cerca de 55 km de Goiânia, pois não pode se aproximar de Abadiânia ou das vítimas. “O MP tentou tudo para que ele cumprisse a pena no presídio. Como não conseguimos, buscamos o máximo de proteção para evitar que ele tenha contato com potenciais vítimas. Por uma questão de idade, ele conseguiu prisão domiciliar. Isso traz indignação para as vítimas que confiaram no sistema”, contou. Ao todo, 67 vítimas compõem os processos, pois foi reconhecida a extinção da punibilidade pela decadência ou prescrição em relação a 121 delas, que entraram nos processos como informantes. João de Deus na Casa Dom Inácio, em Abadiânia, Goiás, em foto de 2015 Reprodução/ TV Anhanguera Veja abaixo as penas atuais em cada um dos processos: 2019 Posse irregular de arma de fogo: pena de 1 ano de detenção, 3 anos de reclusão e 20 dias-multa (pena definitiva); Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: 16 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão; (Redução de 3 anos) 2020 Estupro de vulnerável: pena de 30 anos, 4 meses e 15 dias de reclusão; (Redução de 9 anos, 7 meses e 15 dias) Estupro e estupro de vulnerável: pena de 29 anos e 2 meses de reclusão; (Redução de 15 anos e 4 meses) 2021 Violação sexual mediante fraude: processo arquivado (punibilidade extinta por decadência do direito de representação de uma das vítimas); (Pena anterior era de 2 anos 6 meses) 2022 Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: 13 anos e 9 meses de reclusão; (Redução de 38 anos) Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: 22 anos e 06 meses de reclusão; (Redução de 18 anos e 10 meses) 2023 Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: 27 anos de reclusão; (Redução de 21 anos e 6 meses) Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: extinção da punibilidade, pela decadência do direito de representação; (Pena anterior era de 16 anos e 10 meses) Violação sexual mediante fraude: 3 anos e 4 meses de reclusão (pena definitiva); (Redução de 8 meses) Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: 29 anos e 6 meses de reclusão; (Redução de 13 anos e 4 meses) Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: extinção da punibilidade, pela decadência do direito de representação; (Pena anterior era de 27 anos) Estupro e estupro de vulnerável: processo arquivado; (Pena anterior era de 56 anos, 10 meses e 15 dias) Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: 30 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão; (Redução de 9 anos e 9 meses) Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: sentença cassada; Estupro, violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: 9 anos de reclusão; (Redução de 42 anos e 8 meses) Crime contra relações de consumo: processo arquivado após sentença absolutória; 2025 Estupro de vulnerável: processo em fase de alegações finais. Total das penas somadas em maio de 2026 (incluindo a condenação por posse irregular de arma de fogo): 214 anos, 1 mês e 20 dias de reclusão e 1 ano de detenção. Com exceção dos processos arquivados, e a pena definitiva pelo crime de posse ilegal de arma, o desfecho dos processos ainda pode mudar. Isso acontece, pois a maioria deles ainda aguarda julgamento de Recurso Especial pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ). João de Deus, em Aparecida de Goiânia, Goiás Renata Costa/TV Anhanguera LEIA TAMBÉM: O que aconteceu com João de Deus? João de Deus: entenda as denúncias, condenações e prisões Abadiânia após João de Deus: como está cidade que vivia de turismo religioso após denúncias de crimes sexuais Denúncias As denúncias contra João de Deus começaram quando o programa Conversa com Bial, da TV Globo, exibiu entrevistas com 10 mulheres que denunciavam abusos sexuais cometidos pelo líder religioso. Mais de 200 mulheres afirma ao MP que médium cometeu abuso sexual VEJA DENÚNCIAS: mulheres relatam abusos sexuais Após os primeiros relatos, dezenas de mulheres procuraram o Ministério Público para denunciar João de Deus, iniciando um dos casos mais emblemáticos de abuso sexual no Brasil. Os abusos aconteciam durante os atendimentos realizados por João de Deus na Casa Dom Inácio de Loyola, onde ele realizava "cirurgias espirituais". A Casa permanece aberta até hoje, em Abadiânia, mas com movimento muito abaixo do que era visto quando João de Deus realizava seus atendimentos. Segundo Luciano Meireles, promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás, as vítimas tinham idades variadas, mas havia incidência maior de mulheres entre 25 e 30 anos. “Muitas vítimas me perguntavam se teriam que ser ouvidas de novo, e pediam para que o oficial de justiça não fosse à casa delas, para que o pai ou o marido não ficasse sabendo. Muitas levavam isso sozinhas por medo de serem acusadas ou perderem o marido”, destacou o promotor. João de Deus foi preso em 2018. Na época, ele se declarava inocente de todas as acusações. Anos após a primeira denúncia, Luciano destaca a importância do caso para o legislativo no Brasil: “Foi o primeiro caso em que a coragem de uma vítima encorajou outras, gerando uma cadeia de quebra de silêncio”, destacou. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

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